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Saiba se seu emprego está ameaçado

Por Paulo Barreira Milet | Eschola.com – 22/07/2012 14:38:00

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Na semana passada publicamos aqui no Yahoo!Educação uma matéria baseada em reportagem da revista FORBES mostrando uma relação de profissões que estariam com seus dias contados.

Leia aqui: Profissões que estão acabando

Foram muitos os questionamentos levantados e poucos os “apoiamentos” e por isso vou aprofundar o assunto aqui mais um tanto e talvez publicar uma série, pela extensão e complexidade do tema.

Centenas de profissões surgem e desaparecem de tempos em tempos. É mais comum o destaque que é dado ao primeiro caso, o surgimento de novas profissões, principalmente aquelas ligadas à novas tecnologias de produtos e processos, às mudanças provocadas pelas TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) em profissões antigas e a novos métodos e materiais desenvolvidos.

Mas não é dado muito destaque às profissões que desaparecem. Será que a sua será uma delas?

Ascensorista, telefonista, cocheiro, datilógrafo, operador de fax, telex, linotipo, sapateiro, peixeiro, açougueiro, carvoeiro, leiteiro. Essas são ou foram algumas delas, mais fáceis de perceber.

Na mesma linha, várias estão em processo de mudança ou simples extinção: secretárias, empregados domésticos, frentistas de postos de gasolina, borracheiros, digitadores, estivadores, agricultores de trabalho manual, agentes de viagens...

Mas será que só essas estão ameaçadas? E as profissões mais convencionais e tidas como intocáveis, como médicos, advogados, engenheiros, economistas, arquitetos, contadores, tradutores e professores? 

Será que essas também podem desaparecer ou mudar radicalmente? Isso vai depender também e muito dos profissionais de cada área e de como eles encaram o seu trabalho.

Uma profissão de futuro no início do século XX era a de telefonista. Claro! Se uma telefonista atendia 20 ou 30 pessoas e fazia a conexão manual entre os circuitos, era óbvio que se fosse necessário atender 100 milhões de pessoas, seriam necessárias 5.000.000 de telefonistas. Grande futuro pela frente! Mas bastou mudar o processo. A automação matou a profissão.

As tecnologias de Informação, comunicação e automação tem a finalidade de permitir que os seres humanos possam desempenhar suas atividades de forma cada vez mais fácil, rápida e barata. Não estou falando apenas de tablets e redes sociais que estão na moda nos últimos três anos.

Estou falando que, desde sempre, a humanidade cria mecanismos para facilitar sua vida e toda tecnologia tem esse significado. O que mudou nos últimos tempos foi a velocidade com que isso acontece.

Antigamente uma mudança cruzava gerações e então um egresso de uma determinada geração podia nem perceber a mudança. Agora não. A velocidade da mudança faz parte do processo. Uma mesma geração (por exemplo, quem nasceu na segunda metade do século XX) conviveu com: a chegada da TV, as cores, o videotape, o satélite, o CD, o DVD, o 3D a expansão do telefone, o DDD, o DDI, o fax, o celular, os smartphones o computador de grande porte, os minicomputadores, os micros, os PCs,  os tablets e a Internet;

E com a fusão (e confusão) de tudo isso!  Muitos jovens (e vários adultos) não sabem que um interurbano do Rio para Brasília na década de sessenta tinha que esperar horas e ser pedido com antecedência para uma telefonista;

Que a copa de 70 foi transmitida em preto e branco;

Que o fax foi uma grande novidade nos escritórios no final dos 80;

Que nessa época os computadores que processavam o Imposto de renda de milhões de brasileiros tinham a capacidade dos nossos computadores pessoais de hoje;

Que a internet e os celulares praticamente não existiam há 20 anos;

E os empregos associados à essas mudanças? Onde foram parar?

E nos próximos 20, 30 ou 50 anos? Como vai ser?

As seguintes são algumas perguntas-chave para você testar se seu emprego vai desaparecer:

Existe algum tipo de máquina ou sistema capaz de fazer meu trabalho, no todo ou em parte, de modo mais rápido, seguro, barato e com mais qualidade?

Eu me desloco para tratar de assunto que não envolve deslocamento físico de coisas ou pessoas?

Eu sou um atravessador, no sentido de pegar determinada informação ou objeto e leva-lo ao seu destino (meu cliente) sem agregar valor?

Existem tecnologias de informação, comunicação ou automação capazes de atender meu cliente de modo melhor do que eu faço?

Eu ensino apenas o que já está nos livros ou na internet?

Eu atendo um paciente no meu consultório sem examina-lo, prescrevendo o máximo de exames e simplesmente passando os remédios que estão no manual? Se a resposta for sim a uma ou várias dessas questões, então meu emprego está realmente ameaçado.

Existe solução? Claro que sim! Em épocas de muito choro sempre há espaço pra vender lenços! Nossas escolas e faculdades estão preparadas para isso? Claro que não!

Mas vou tratar disso no próximo artigo.

Paulo Barreira Milet é Matemático (UnB) com Pós em Adm. Pública (FGV/RJ). Empresário e consultor com atuação nas áreas de TI, Gestão e Educação a Distância.

Email:  pbm@eschola.com  - Twitter: @pmilet

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